Secundário | A trilogia de uma viagem atribulada
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Nídia Piza
- junho 26, 2018
Parece tudo tão irreal... parece que estes últimos três anos demoraram uma eternidade a passar e ao mesmo tempo passou tudo num ápice. Há três anos atrás estava nervosa porque em setembro iria entrar para o ensino secundário. Passados três anos, estou nervosa por não saber como será a minha vida daqui para a frente. É assustador ver como o tempo anda a passar tão depressa, daqui a uns meses estarei a começar uma nova fase da minha vida e não sei se me sinto preparada para ela. Será que vai correr bem? Será que vou conseguir alcançar os meus objetivos? Será que vou gostar do curso? Tenho tantas perguntas na minha cabeça e não consigo encontrar respostas para elas, por enquanto. Deixando esse assunto de lado, decidi falar-vos um bocadinho destes últimos três anos... da minha experiência enquanto aluna do ensino secundário e das minhas aprendizagens. Estes anos serviram para aprender tanta coisa, inclusive para perceber quem eu quero ao meu lado daqui para a frente.
Existem alturas na vida em que temos de fazer escolhas que, mais tarde, sabemos que nos irão influenciar o futuro e a escolha do curso para seguir no Secundário foi uma das minhas grandes decisões. Quando me apercebi já estava no final do 9º ano e tinha que escolher um caminho, o curso estava bem decidido: Línguas e Humanidades. Nunca me foi imposto nenhum curso pelos meus pais, deram-me total liberdade para fazer a minha escolha e agradeço por ter sido assim. Na maioria dos casos, os pais têm determinadas expectativas em relação aos filhos e acabam por influenciar as suas decisões. Esta situação é totalmente errada e absurda! Compreendo que todos os pais queiram o melhor para os seus filhos, mas deixem-nos crescer e tomar as suas próprias decisões para que, no futuro, estejam felizes ou minimamente satisfeitos com o que estão a exercer.
No meu caso, optei por seguir o curso de Línguas e Humanidades e não me arrependo da minha escolha. O que tenho a dizer sobre este curso? É frequente ouvirmos dizer que este curso é pior que os outros por não ter saídas profissionais; que só segue este caminho quem quer fugir à matemática ou quem quer seguir um caminho mais fácil - o que tenho a dizer em relação a estas opiniões é que estão completamente erradas. Falo por mim, não segui este curso para fugir à matemática, pelo contrário... sempre gostei dessa disciplina. Não é um curso pior que os outros, aliás, pensemos nas áreas que estão ligadas a ele: Áreas de Ciências da Educação e Formação de Professores; Áreas de Direito, Ciências Sociais e Serviços; Educação Física, Desporto e Artes do Espectáculo Animação e Produção Artística; Áreas de Humanidades, Secretariado e Tradução. Dentro destas áreas, são inúmeras as profissões que podemos exercer. Não conseguimos ser médicos nem economistas como tanta gente ambiciona, mas só essas profissões é que são necessárias no mundo?
Em relação à minha experiência... A entrada para o secundário marcou uma grande mudança na minha vida, tanto em aspetos escolares como pessoais. Sinto que cresci imenso ao longo destes anos e aprendi muita coisa, mas também andei mais motivada para estudar e para ir para a escola. Não nego que também andei cansada, exausta e a cair para os lados em alguns momentos, mas faz tudo parte. Ganhei mais motivação por ser um curso onde tinha disciplinas de que gostava muito e que me faziam querer aprender mais e esforçar-me. Também tive fases mais complicadas em que me fui abaixo, mas consegui erguer-me. As disciplinas obrigatórias são História A, Português, Inglês, Filosofia e Educação Física (mesmo não contando para a média). Depois temos as opcionais que são escolhidas por cada um, no meu caso foram Literatura portuguesa e MACS (Matemática Aplicada Às Ciências Sociais). No 11ª ano realizam-se exames a estas duas disciplinas opcionais ou então podemos trocar por Filosofia ou Inglês. No 12º ficamos com História A, Português, Educação Física e depois temos de escolher mais duas (no meu caso, escolhi Psicologia e Sociologia) e temos de realizar exame a Português e História A.
Do 9º ano para o 10º sente-se uma grande diferença e instabilidade – pelo menos no primeiro período - até nos habituarmos aos métodos de ensino e de avaliação a que estamos sujeitos. O primeiro período foi de adaptação e as notas não foram as que mais desejava por essa mesma razão. Após passar esse período, consegui subir as notas e terminar o ano com sucesso. Por norma, sou uma pessoa que exige muito de si própria e fico desanimada quando não consigo alcançar os meus objetivos. Em relação às disciplinas, apesar de exigentes, senti que eram mesmo a minha área, por isso estudar tornou-se uma tarefa mais facilitada.
Relativamente ao 11º ano, foi o ano mais exigente de sempre. No entanto, (parece ironia) foi o ano em que obtive melhores resultados. Foi, também, o ano em que senti que ia acabar por ter um esgotamento por ter tantas coisas para fazer em tão pouco tempo. Durante esse ano a minha vida baseou-se em estudar, estudar e estudar. A cada dia que passava eu sentia-me exausta e com vontade de desistir da escola, eram apresentações atrás de apresentações, imensas folhas de apontamentos para estudar, testes em cima de testes e poucas horas de descanso. Já para não falar dos exames nacionais, que me deixaram completamente em pânico.
Terminei agora o meu último ano de secundário, o 12º ano. O que dizer sobre este ano? Tive um horário extremamente bom, apenas tinha quatro disciplinas teóricas (referidas anteriormente) e educação física. Ter algum tempo livre fez com que conseguisse organizar melhor o meu estudo, de modo a conjuga-lo com as restantes coisas que tinha para fazer. Falando dos exames nacionais, este ano fiz o exame de Português e de História A. O exame de História A foi o que exigiu mais de mim, tendo em conta que são avaliados imensos módulos num espaço de duas horas e meia. Ainda por cima, este ano o IAVE decidiu alterar a estrutura de todos os exames, surpreendendo todos os alunos que estavam sob avaliação. Na minha opinião, é injusto passarmos 3 anos a realizar testes tipo-exame e depois sermos surpreendidos pela negativa no momento crucial da avaliação.
A nível pessoal, estes três anos serviram para compreender imensas coisas. Consegui perceber com quem posso realmente contar em todos os momentos e quem só lá está quando precisa de mim. Consegui chegar à conclusão que devemos colocar-nos sempre em primeiro lugar, devemos lutar pelos nossos objetivos. Hoje, posso dizer que a Nídia que entrou para o 10º ano é a mesma Nídia que sai do ensino secundário de consciência tranquila porque se esforçou para alcançar os seus objetivos. Foram três anos de imenso crescimento e tenho de agradecer a quem sempre esteve do meu lado, principalmente ao Alexandre por me ter apoiado em tudo e por ter aturado as minhas crises de ansiedade e de desmotivação.
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Conselhos:
- Embora o 10º ano seja um período de adaptação, esforcem-se ao máximo para tirar as melhores notas possíveis! No final do 12º ano vão aperceber-se que todos os anos são fundamentais para a média final;
- Aproveitem o ensino secundário para perceberem o que querem para o vosso futuro, não esperem pelo final do 12º ano. Os anos passam num instante, acreditem em mim;
- Lutem pelos vossos objetivos e pensem por vocês próprios. Não encarem as adversidades como derrotas, mas sim como novas aprendizagens;
- Organizem o vosso tempo da melhor maneira possível, vão perceber que têm tempo para tudo;
- Sejam felizes.
Espero ter conseguido transmitir o meu ponto de vista em relação a este assunto, qualquer dúvida estarei disponível para responder! :)
Um grande beijinho,








