Quo vadis tempo?
by
Nídia Piza
- outubro 10, 2017
Começo este texto por dizer que não desgosto do facto de os dias estarem quentes, mas estou farta de reclamar do calor, quero começar a reclamar do frio!
Sempre me habituei a Portugal ser um país cumpridor das estações do ano, não fossemos nós um povo nobre, porém este ano isso não está a ocorrer. Devido ao aquecimento global ou, simplesmente, a algumas mudanças no clima atmosférico, este ano o sol parece que não quer ir embora... já estou quase a chegar a meio do primeiro período e continua um calor infernal. As estações do ano intermédias são as minhas preferidas, mas, nos últimos anos, nem costumo dar por elas. O nosso clima está a tornar-se num clima de extremos: ou está muito calor, ou está muito frio.
Confesso que sinto falta de chegar da escola, tomar um banhinho e sentar-me a estudar ao som da chuva, de ficar sentada ao pé da lareira a conversar com os meus pais enquanto bebo um chá ou simplesmente daqueles dias em que não saio da cama. Adoro encher a minha cama de cobertores consoante a intensidade da chuva e do frio e abrigar-me, abrigar-me e ficar num perfeito estado de nostalgia a assistir às minhas séries. Estou crente que, mais cedo ou mais tarde, o outono não me vai desiludir... apesar de não gostar de começar a ver as folhas caídas no chão, este tempo também faz falta, sobretudo para os agricultores.
Sei que quando chegar essa altura e estiver a caminho da escola, vou começar a ver tudo em redor molhado e vou pensar que me penteei para nada. Nesse momento, irei reclamar da mesma forma que agora reclamo deste sol, mas isto faz parte do ser humano, temos de reclamar sempre de alguma coisa, não fossemos nós pessoas imperfeitas.
Este tempo até seria agradável se pudesse ir para a praia, mas, tendo em conta que levo vida de estudante, não é possível. Os meus dilemas com a roupa tornam-se ainda mais graves devido a estas temperaturas oscilantes do dia a dia. De manhã está bastante frio, por isso tenho de levar uma sweat ou um casaco e após sair da primeira aula é como se, sem sair da margem sul, tivesse sido deslocada para onde só existe calor e essa sensação é terrível.
Por agora só me resta esta opção: reclamar, andar com o casaco na mão o resto do dia e aguardar por aqueles dias chuvosos (que não tenha aulas).




